Como E Porque Construir Um Estado?
Acho um tópico extremamente abrangente, que demanda muito estudo para responder. Espero que com o tempo essa base seja construída, mas por enquanto vai ser um lugar para colecionar ideias sobre o assunto.<div><br></div><div>Um pouco de história bem estudada, principalmente a hostória que nos toca de forma pessoal, vai mostrar que um Estado, uma nação, um povo, é na verdade, um conceito, uma idéia, que precisa ser construída e ensinada por várias gerações. Essa construção passa por um mito de origem, por uma reformulação linguística, pelo enaltecimento de certas características culturais, comportamentos, comidas. É bem possível que uma nação surja de forma "orgânica" sem uma grande força motriz centralizadora do andamento da nação ao longo do tempo, mas é também bem verdade que muitas das atuais nações foram, em certa medida, arquitetadas, planejadas.<br><div><br></div><div>Essa questão me surgiu ao pensar sobre a <span contenteditable="false" class="search_ignore"><a content_type_id="9" object_id="28" class="search_ignore" contenteditable="false" href="/Titigal/origem-do-valor/page/28/">Origem Do Valor (page by Titigal)</a></span> no mundo. Como um típico cidadão contemporâneo foi embreado na minha vida que é preciso ter dinheiro porque o dinheiro possibilita adquirir o que preciso. Existe a narrativa capitalista do dinheiro como um potencializador para as trocas e um desenvolvimento natural a medida em que a população cresce, se expande e sente necessidade de trocar cada vez mais e com mais pessoas. Essa narrativa é brilhantemente apresentada no livro "A História da Riqueza da Humanidade", um dos meus primeiros contatos proativos (ninguém me mandou ler o livro) relacionados ao pensar sobre dinheiro. (Link aqui)</div><div><br></div><div>Recentemente esbarrei em um vídeo sobre autosustentanilidade, outro assunto que me fascina, e nesse video foi recomendado o livro "Em busca do primitivo". Esse livro apresenta, dentre outros assuntos uma narrativa completamente diferente sobre o surgimento do dinheiro, como uma das ferramentas de dominação ensinadas pelas culturas dominadoras para enfraquecer as relações de produção e trocas locais das en tão sociedades primitivas, fazendo com que pessoas, antes eram capazes de produzir e trocar uma grande variedade de coisas entre si, produzam um recurso específico, troquem esse _recurso_ com o colonizador por dinheiro do colonizador, para com esse dinheiro realizar o ensinado comércio. Ao longo do tempo essas pessoas se tornam específicas e dependentes desse mecanismo, perdem a capacidade generalista.</div><div><br></div><div>Em ambos os livros parece que o ponto principal é apresentar as narrativas, acho que nenhum está completamente certo ou errado, ao analisar situações geograficamente e temporalmente localizadas (um dos trabalhos de pesquisa necessários) acho que vai possível observar o dinheiro das duas formas.</div><div><br></div><div>De qualquer forma, da questão inicial da necessidade de ter dinheiro é natural que se pergunte, qual dinheiro deve-se ter? Qual dinheiro tem mais _valor_? Daí é também natural se perguntar, porque um dinheiro tem mais valor que o outro? O que trás valor e estabilidade ao dinheiro? Se eu devo ter o que me trás valor não seria melhor ter outra coisa além de dinheiro?</div><div><br></div><div>Minerais preciosos são uma primeira resposta boa para essas indagações, uma resposta inicialmente razoável e que carrega suas verdades. Ouro o mais famoso, diamante. Qual dos metais, minerais preciosos tem mais valor? Porquê? </div><div><br></div><div>Descobri que alumínio já foi um metal muito precioso e que hoje é completamente banalizado pelos desenvolvimentos dos mecanismos de extração e mineração. Ao meu ver é de fato muito precioso, é infimitamente reciclável e assim muito alumínio é extraído de minério todo ano, quantas latinhas são suficientes por pessoa? Vidro é também um material fascinante, também infinamente reciclável e inerte a praticamente tudo, por isso que é usado em copos e tubos de ensaio. Durabilidade, reciclabilidade, inertibilidade, são características que parecem mais intrínsecas ao julgar o valor de algo do que a abstração do dinheiro. Mas não intenção de prover respostas absolutas, só registrar as reflexões.</div><div><br></div><div>Levando essa busca do _recurso_ natural como o que tem valor e o traz valor ao dinheiro adiante, a conclusão que parece mais sensata para mim é que o realmente primordialmente, intrinsecamente valioso é água e comida. <span style="background-color: var(--box-color); color: var(--text-color); font-size: 16px; caret-color: var(--text-color);">Já que o objetivo me ensinado é de ter dinheiro porque dinheiro vale, porque não buscar ter de fato algo de intrinsecamente valoroso como acesso direto a água e comida?</span></div><div><br></div><div>A busca pelos conhecimentos necessários e _recursos_ necessários para produzir água e comida nesse entendimento torna aparentemente como outras questões estão intimamente associadas. Geografia (boa terra, bom clima, bons rios). Os países todos no mundo exercem controle restrito dos próprios recursos naturais.</div><div><br></div><div>Daí a minha visão inicial foi mudando de ter dinheiro, para ter terreno, para ter terreno com água e os conhecimentos necessários para torná-lo produdivo, para entender que de fato parece que nada é nosso, a terra e os recursos naturais são do Estado e ele pode e vai exercer controle sobre esses recursos sempre que sentir necessidade, em alguns estados esse controle é exercico de forma mais trivial ou direta do que em outros, mas essa possibilidade é real.</div><div><br></div><div>Nessa perspectiva o mundo é um grande jogo de War, jogado por algumas poucas pessoas que estão, conjuntamente sob controle dessas estruturas estatais, burocráticas, comércios, mineração, tecnológicas e outras mais, tudo é recurso para o estado, a população dele produzindo e extraindo para ele é recurso, a geografia e tudo dentro da fronteira do Estado é recurso. Dinheiro é recurso para controlar a população, a partir do momento que aceitamos usar dinheiro, não estamos aceitando só a suposta natural facilidade do comércio, mas estamos aceitando também nos submeter a um estado e é imposto a nós que prestemos contas a esse Estado, "O que a minha população faz no meu território e com o meu dinheiro eu tenho que saber". Acho que isso acontece largamente na diferentes estruturas de estado e governo. Eu ainda não entendi muito bem qual é o End Game desse jogo de War, mas parece que ele está sendo constamente jogado no mundo real, os Players tem diferentes interesses, as vezes conflitantes as vezes não. Mas a gente é só Peão. Peão pra exército, peão pra tecnologia, pra produzir conhecimento e outros mais tipos de peão. Também não tenho claro qual a origem ou os antecedentes desse mundo que a gente vive hoje, mas me parece que a situação atual é essa.</div></div><div><br></div><div>Acho que a guerra não tem nenhum significado inerente. Se você vê algum sentido único na guerra provaelmente alguém construiu esse sentido para você brigar, essa guerra não é sua e não é você quem vai sair ganhando. Das ferramentas potencializadoras de significado, uma das mais poderosas é a religião, muitas pessoas já mataram e morreram por isso... no final a guerra não é delas. É todo mundo peão. </div><div><br></div><div>Uma estado também precisa de um significado, de uma espécie de ideologia que une todo mundo que faz parte ou se sente do estado. Talvez seja possível que esse sentido nasça de forma não intencionalmente guiada em estados mais antigos, em que o próprio movimento de formação estadal coincide com um grupo de pessoas que se perde no tempo, alguma etnia característica ou algo assim, sei lá. Mas nos grandes estados modernos, surgidos e ainda surgindo do colonialismo esse sentido é muitas vezes intencionalmente construído, existe um programa e um planejamento de estado. É possível intencionalmente fazer um estado sem imposição cultural? Sem dilascerar? Eu entendo que as pessoas e os hábitos e idiomas e culturas se fundam, se mesclem com o tempo. Mas deve existir uma versão mais palatável desse processo do que foi o colonialismo. </div><div><br></div><div>Os estados unidos tem um poder gigantesco sobre o mundo. IEEE é a organização de origem norte americana e com sede em Nova York que controla quem pode produzir dispositivos que se conectem a internet (distribui os MAC Adresses). Estados Unidos tem muito muito ouro, por que se diga que as moedas não são lastreadas em ouro, os países todos ainda juntam muito ouro e o usam como lastro, nessa os EUA ganham de longe.<br> <span contenteditable="false" class="search_ignore"><a content_type_id="6" object_id="40" class="search_ignore" contenteditable="false" href="https://en.wikipedia.org/wiki/Gold_reserve">en.wikipedia.org/wiki/Gold_reserve</a></span> <br></div><div> <span contenteditable="false" class="search_ignore"><a content_type_id="6" object_id="39" class="search_ignore" contenteditable="false" href="https://data.imf.org/?sk=e6a5f467-c14b-4aa8-9f6d-5a09ec4e62a4">data.imf.org/?sk=e6a5f467-c14b-4aa8-9f6d-5a09ec4e62a4</a></span> <br></div><div><br></div><div>De tudo que pode ser considerado recurso para o estado o dinheiro para mim é o que faz menos sentido classificar como recurso. Pessoas tem uma utilidade concreta, minerais e recursos naturais, água, sol, clima, também tem uma utilidade concreta. O dinheiro parece mais uma forma de exercer poder e controle sobre outros recursos do que uma finalidade em si. Os estados criam dinheiro e trocam dinheiro qual a utilidade que um estado dá ao seu próprio dinheiro? Qual a utilidade que um estado dá ao dinheiro de outro estado quando vende em outra moeda? Em que medida essas trocas estatais de dinheiro são fisicamente realizadas (o dinheiro é fisicamente transportado)?</div><div><br></div><div>USA é mestre em criar organizações e convenções "internacionais". Tenha atenção a quantidade de siglas poucas letras, 3 até 5 vai. Essas são as <span style="font-size: 16px; background-color: var(--box-color); color: var(--text-color); caret-color: var(--text-color);">organizações mais poderosas do mundo. Siglas de duas letras são reseevadas praticamente só a países e grandes entidades compostas por países. </span></div><div><br></div><div>Comunicação é a moeda mor que rege todas as trocas. Comunicação e conhecimento são as duas coisas que não perdem valor, que tem valor intrínseco. </div><div><br></div><div>Um estado bem sucecido, em qualquer implementação, deve exercer algum nível de controle sobre a comunicação e o conhecimento de forma fundamental. Todo o resto parte daí. Igualmente, para que as pessoas sejam de fato livres de qualquer barreira estatal o caminho é pela comunicação e conhecimento. </div><div><br></div><div>Pensa comigo, se existe um meio de comunicação aberto ou ele é muito acessível ou ele na verdade não é aberto de fato, mas só mantido, financiado pelo estado, por consequência controlado pelo estado, o fato desse controle não estar sendl exercido no momento não significa que ele não existe.</div><div><br></div><div>O caminho é quebrar todas as barreiras à comunicação e ao conhecimento, expandir ao máximo possível estes horizontes.</div><div><br></div><div>É fascinante para mim pensar que muito do sistema financeiro atual teve sua base em uma conferencia de 1944, e muito do que as pessoas crescem vivendo como que quase uma ordem natual é sistema construído, é fascinante pensar que o mundo poderia ser muito diferente a depenter dos acordos dessa conferência <span contenteditable="false" class="search_ignore"><a content_type_id="6" object_id="41" class="search_ignore" contenteditable="false" href="https://en.wikipedia.org/wiki/Bretton_Woods_Conference">en.wikipedia.org/wiki/Bretton_Woods_Conference</a></span> </div><div> <span contenteditable="false" class="search_ignore"><a content_type_id="6" object_id="42" class="search_ignore" contenteditable="false" href="https://api.parliament.uk/historic-hansard/lords/1943/may/18/international-clearing-union">api.parliament.uk/historic-hansard/lords/1943/may/18/internation...</a></span> <br></div><div><br></div><div> <div> <br></div> <div> <br></div> <div> <br></div> <div> <br></div> <div contenteditable="false" class="embed search_ignore">
<embed class="embed" src="https://storage.biont.me/biontbucket-prod/E._F._Schumacher_Multilateral_Clearing_Economica_New_Series_Vol._10_No._38_May_1943_pp._150165_c.pdf?X-Amz-Algorithm=AWS4-HMAC-SHA256&X-Amz-Credential=0057c905b0ea3240000000010%2F20250726%2Fus-east-005%2Fs3%2Faws4_request&X-Amz-Date=20250726T022239Z&X-Amz-Expires=30&X-Amz-SignedHeaders=host&X-Amz-Signature=a00de0ca135d65523883b381274b42a85e9b2c7886acc14cb3136adc3b0e7108" type="application/pdf">
<a content_type_id="7" object_id="10" class="search_ignore" contenteditable="false" href="/Titigal/multilateral-clearing-economica/fle/10/">Multilateral Clearing Economica (application/pdf by Titigal)</a></embed></div> <div> <br></div> <div> <br></div> <div> <br></div> <div> <br></div> A história do dinheiro dá muitas pistas sobre vários outros aspectos da história. Estou lendo agora sobre o primeiro momento da colonização do que viria a se tornar o Brasil. A economia regida pela produção de caba de açúcar, vendendo açúcar no mercado europeu, enquanto rapadura e cachaça no mercado "interno" <span style='font-family: Arial, "sans-serif"; font-size: 16px; font-style: normal; font-weight: 400; background-color: var(--box-color); color: var(--text-color); caret-color: var(--text-color);'>(Ribeiro, Darcy. O povo brasileiro p.327 do pdf)</span><span style="font-size: 16px; background-color: var(--box-color); color: var(--text-color); caret-color: var(--text-color);">. Que curioso que Portugal vendia produtos internamente. Havia dinheiro para se fazer aí? Quem eram os compradores? qual era moeda e quem fazia a moeda? De onde o senhorde engenho inicial tira seus recursos para construir sua casa e exercer poder e controle?</span></div><div><span style="font-size: 16px; background-color: var(--box-color); color: var(--text-color); caret-color: var(--text-color);"><br></span></div><div><span style="font-size: 16px; background-color: var(--box-color); color: var(--text-color); caret-color: var(--text-color);">23/06/2025</span></div><div><span style="font-size: 16px; background-color: var(--box-color); color: var(--text-color); caret-color: var(--text-color);"><br></span></div><div><span style="font-size: 16px; background-color: var(--box-color); color: var(--text-color); caret-color: var(--text-color);">Vamos falar sobre soberania. Soberania é um conceito engraçado. Para legitimar sua guerra você tem que aceitar esse conceito ao mesmo tempo em que tem que apresentar um processo de raciocínio pelo a soberania do outro é desligitimada. A sua guerra só é legítima a medida em que a comunidade valida esse processo de raciocínio. O conceito de soberania em si nunca é questionado, porque se fosse você também não teria direito ao seu território. E se a soberania do outro fosse sempre aceita por todos a guerra nunca seria legítima. </span></div><div><br></div><div>Existem várias formas de desligitimar a soberania do outro, na era colonial a justificativa era, eles não são gente, eles são primitivos ao ponto em que mal tem uma sociedade, logo não tem porque eles terem direito ao território. Outra forma é a étnico histórica, essa é do tipo "nossos antepassados ocupavam essa a muito tempo atrás ".</div><div><br></div><div> <span contenteditable="false" class="search_ignore"><a content_type_id="9" object_id="105" class="search_ignore" contenteditable="false" href="/Titigal/guerra/page/105/">Guerra (page by Titigal)</a></span> <br></div>

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Author Titigal
Created 20 Feb 2024
Updated 26 Jul 2025
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